Amores,

Hoje começamos com uma prática de bondade amorosa que o Lama conduziu em Phuket há alguns anos com foco em nós! 🙂

Seguimos com o estudo sobre a prática de tonglen e lembramos de várias referências de outros mestres.

O Daniel leu um trecho do livro “No Coração da Vida” em que ela conta que, assim como o grande Dilgo Khyentse Rinpoche (Enlightened Courage), o mestre dela Khamtrul Rinpoche também ofereceu “O Treinamento da Mente em Sete Pontos” como último ensinamento aos seus alunos.

Como a prática do tonglen também está descrita nos Oito Versos que Transforma a Mente, compartilhei trechos de um estudo que fizemos este ano na Tibet House sobre o sétimo verso:

Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,
toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos,
e a tomar sobre mim em sigilo,
todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães.”

”(Na prática de Tonglen,) tomar o lugar do outro não deve ser entendido literalmente. Significa reverter a atitude que normalmente temos em relação a nós mesmos e aos outros. Tendemos a nos relacionar com o assim chamadoeucomo uma essência preciosa, algo que realmente vale a pena proteger; nos dispomos até a desconsiderar o bem estar dos outros. Nossa atitude com respeito ao bem estar dos outros se assemelha mais à indiferença; na melhor das hipóteses nos preocupamos com os outros mas isso se simplesmente na forma de uma emoção ou de um sentimento.”

”A compreensão correta desta prática é muito importante; caso contrário, pode reforçar o sentimento de ódio de si mesmo, pensando que se o ”eué a corporificação do autocentramento, ele deve ser simplesmente eliminado. Não se esqueça de que acima de tudo a motivação por trás de desejar seguir o caminho espiritual é atingir a suprema felicidade quando buscamos essa felicidade para nós mesmos, estamos buscando a felicidade para os outros também. Até mesmo do ponto de vista prático, quando desenvolvemos a genuína compaixão pelos outros, precisamos de uma base sobre a qual essa compaixão possa se desenvolver, e essa base é a habilidade de se conectar aos próprios sentimentos e de cuidar do seu próprio bem estar.”

~ Dalai Lama – Transforming the Mind

 

“Normalmente, desviamos o olhar quando vemos alguém sofrendo. A dor do outro desperta o nosso medo ou raiva; causa resistência e confusão. Mas podemos fazer tonglen para todas as pessoas que, assim como nós, também desejam ser compassivos, mas, ao contrário, têm medo; que desejam ser corajosos, mas, ao contrário, são covardes. Em vez de nos punirmos, podemos usar nossas amarras como um trampolim para entender o que as pessoas estão enfrentando em suas vidas. Inspire por todos nós e expire para todos nós. Use o que parece ser veneno como remédio. Podemos usar nosso sofrimento pessoal como caminho para a compaixão por todos os seres.”

”A prática de tonglen reverte a lógica habitual de evitar o sofrimento e buscar o prazer. Nesse processo, nós nos libertamos de padrões muito antigos de egoísmo. Começamos a sentir amor, tanto por nós mesmos quanto pelos demais; passamos a cuidar de nós mesmos e dos outros. Tonglen desperta nossa compaixão e nos faz conhecer uma visão muito mais ampla da realidade.”

~ Pema ChödronQuando tudo se desfaz

 

”Que todas as minhas atividades possam ser permeadas pela intenção de trazer benefício a todos, diretamentetrabalhando a serviço dos seresou indiretamentesilenciosamente sentado em meditação.

~ Alan Wallace

Seguimos lendo o trecho do livro da Jetsunma em que ela descreve e comenta a prática de tonglen:

Tonglen

Imagine à sua frente alguém de quem você goste, alguém que esteja sofrendo, seja física ou mentalmente. Se não é bom em visualização, pelo menos tenha a sensação de que a pessoa está aqui com você. Agora. Pode até olhar uma fotografia, caso possua. O ponto é ter a sensação da presença e imaginar o sofrimento dela.

Agora, com a inspiração, inale aquele sofrimento na forma de luz negra ou fumaça. É como se fôssemos um aspirador de pó, sugamos toda a dor da pessoa e todo o carma negativo que ela criou. Absorva a luz escura junto com a inspiração. A luz escura desce até o centro de seu peito, onde existe um pontinho preto, como uma pérola negra, que representa o ponto muito sombrio de nossa mente de autoapreço. Normalmente, por mais sofrimento que vejamos nos outros e por mais compaixão e empatia que possamos sentir por eles, ainda mantemos algo no fundo da mente que diz: “Que bom que não é comigo!”. A absorção da luz escura golpeia esse ponto. Contraria todos os nossos instintos habituais de autopreservação. Quando a luz escura se dissolve na pérola negra de nosso autoapreço, imediatamente o ponto preto se transforma em um diamante brilhante que representa a verdadeira natureza da mente: percepção pura luminosa, clara, conhecedora. E vazia! Essa é nossa natureza de buda, que está sempre presente. Como um diamante, jamais pode ser maculada, não importa quanta sujeira e escuridão seja absorvida. É importante que a luz escura que entra atinja esse pontinho preto de autoapreço no centro de nosso peito. Não prendemos a respiração; em vez disso, o ponto transforma-se instantaneamente em um diamante de clara luz pura que então se irradia na expiração. Assim como um diamante nunca pode ser contaminado por mais sujeira ou lama que grude nele, a natureza pura da mente jamais pode ser contaminada, não importa quanta escuridão seja inalada. A natureza da mente é sempre totalmente pura.

Assim, a partir do diamante perfeito no centro de nosso peito, irradia-se uma clara luz tremendamente brilhante que representa toda a nossa sabedoria, compaixão, bom carma — tudo que é positivo e bom dentro de nós. A luz viaja com a expiração, banha a pessoa que imaginamos à nossa frente e se dissolve nela. O processo de dar e receber vai na carona na respiração. A inspiração traz a escuridão, a expiração doa a luz. É um conceito muito simples. O tonglen pode ser muito útil quando visitamos alguém no hospital, ou alguém que esteja perturbado, doente ou morrendo. Podemos apenas sentar ali, respirando, praticando a visualização em favor da pessoa, embora ela não esteja ciente. Quando estamos na presença de grande sofrimento, muitas vezes nos sentimos impotentes, e essa prática é algo que podemos fazer em silêncio, sem qualquer alarde ou motivo de preocupação. Se ficássemos de joelhos e rezássemos, ou passássemos incenso sobre nosso amigo ou parente enfermo, poderia ser embaraçoso para todos os envolvidos. Porém, com a prática de tonglen ninguém tem que saber que estamos fazemos o máximo que podemos para beneficiar a pessoa. Se estivermos realmente concentrados na pessoa, nossas ideias sobre longe e perto são relativas. Quando imaginamos com sinceridade que ela está presente, o tonglen funciona da mesma forma. Na tradição tibetana, o tonglen é frequentemente praticado quando alguém está doente ou perturbado. Quando perguntados sobre quais meditações praticam quando estão enfermos ou até morrendo, muitos praticantes, inclusive grandes lamas, respondem que praticam tonglen. Por exemplo, vamos imaginar que temos câncer. Em nossa inspiração, inalamos todo o câncer do mundo na forma de luz escura, e, na expiração, enviamos, na forma de luz, toda saúde e felicidade de nossa natureza pura inexaurível e todo o bom carma que possamos ter criado para todos seres que sofrem da doença. No tonglen, usamos o que está realmente acontecendo. Em vez de ficarmos apenas sentindo pena de nós mesmos, podemos usar nossas dificuldades como um meio de benefício genuíno — para os outros, por meio da compaixão e da intenção pura, e para nós mesmos, ao reduzirmos nossa atitude de autoapreço.

~ Jetsunma Tenzin Palmo – No Coração da Vida – Lúcida Letra

 

O Thiago recomendou um livro de Dilgo Khyentse Rinpoche em que ele comenta um outro treinamento de lojong – As 37 práticas do Bodsatva – A Essência da Compaixão

 

E aqui o link para o nosso estudo de hoje, das páginas 172 a 175: