Cultivando a Bodicita

Começamos tomando refúgio, estabelecendo o corpo, a fala e a mente em seus estados naturais, que é em si só uma expressão de tomar refúgio na sua própria consciência prístina.

Então visualize seu próprio Lama, manifestando-se como Samantabadra, indivisível, personificação da sua própria consciência prístina. 

Namo
No Lama que é a corporificação dos sugatas
da natureza das três joias,
eu juntamente com os seres dos seis reinos,
tomamos refúgio até a nossa iluminação.

Imagine todos os seres do samsara à sua volta, masculinos à direita, femininos à esquerda, todos olhando para Samantabhadra, tomando refúgio até a iluminação.

 

Cultivamos a Bodicita:

Para benefício de todos os seres,
eu faço surgir o espírito do despertar
e cultivo a realização do Lama como Buda.
Por meio de atividades iluminadas,
treinarei cada ser de acordo com suas necessidades
e faço o voto de liberar o mundo.

 

E então, na presença de Samantabadra, o Guru, recitamos as Dez Linhas para Acumulação de Mérito e Conhecimento:

Lama, deidades pessoais e dakinis, por favor, aproximem-se
E acomodem-se sobre assentos de sol, lua e lótus.
Com meu corpo, fala e mente, eu presto homenagem com reverência.
Faço oferendas externas, internas e secretas.
Reconheço e exponho meus samayas quebrados e degenerados, faltas e obscurecimentos.
Regozijo-me na prática do Mantra secreto.
Por favor, girem a roda do Darma do Mantra secreto que amadurece e libera.
Eu rogo, não passem para o nirvana, mas permaneçam.
Dedico a essência aos seres sencientes.
Possamos nós realizar a natureza vajra perfeita.

 

Meditamos então na vacuidade, na natureza conceitualmente designada e construída de todo o mundo físico e seus habitantes sencientes, desconstruída, liberada de volta à vacuidade.

 

 

AH

No espaço em frente ao meu corpo em sua forma ordinária,

em meio ao prístino e profundo Lago Danakosha de Oddiyana,

preenchido com água com as oito qualidades,

há uma flor de lótus feita de jóias inteiramente desabrochada.

Sobre ela está sentado o Vajradhara de Odhyana, síntese de todos os objetos de refúgio.

Resplandescendo gloriosamente com sinais e símbolos da iluminação das marcas maiores e menores, ele abraça sua consorte Tsoguial.

Em sua mão direita ele segura um vajra, e na esquerda um vaso e uma taça de crânio.

Adornados com sedas, joias e ornamentos de osso,

dentro da expansão das luzes das cinco cores, eles resplandescem na glória da grande bem-aventurança.

Rodeados como uma nuvem por um oceano das Três Raízes,

eles olham para mim, fazendo cair uma chuva de bênçãos e compaixão.

À essência de todos os Jinas, corporificações imortais da consciência primordial,

com sincera fé presto homenagens por todo o sempre.

Ofereço meu corpo, meus prazeres e o conjunto de todas as minhas virtudes dos três tempos,

imaginando-os como nuvens de oferenda de Samantabhadra

Este é o bodisatva Samantabhadra, conhecido por fazer infinitas e magníficas oferendas. Imagine simbolicamente seu corpo, prazeres e virtudes em uma imensa variedade de oferendas. Ofereça tudo que há de melhor.

Revelo todas as minhas más ações e falhas, sem exceção, acumuladas ao longo do tempo sem princípio.

Regozijo-me de coração nas vidas dos ilustres protetores, senhores únicos das qualidades de todos os jinas e de seus filhos e filhas.

Rezo com fé, por favor faça cair sobre nós uma imensa chuva de Darma vasto e profundo.

Reunindo todas as virtudes minhas e dos outros,

enquanto o oceano de reinos de seres perdurar

seguirei seus passos, Ilustre Protetor,

e dedicarei todas as virtudes a que todos seres por todo o espaço sejam guiados.

Corporificação de todos os refúgios, grande tesouro de sabedoria e amor,

precioso e supremo protetor nestes tempos de maldade e degenerescência,

em que sou atormentado(a) e afligido(a) pelas cinco degenerações

E rezo, “Por favor, com o coração pleno de amor, atenda-me, seu (sua) filho (a).”

Manifeste o poder de sua compaixão da expansão de sua consciência iluminada

e abençoe o meu coração reverente.

Por favor, mostre rapidamente sinais e indicações,

e conceda-me os sidis supremos e mundanos.

 

Recitamos a Prece de Sete Linhas três vezes em tibetano, e por rezarmos com reverência e devoção, dos pontos de união entre os corações do Lama e de sua companheira divina, os cinco tipos de raios de luz da consciência primordial projetam-se como filamentos, e ao se dissolverem em seu coração imagine que eles abençoam seu fluxo mental.  

 

HUNG ORGYEN YUL GYI NUP JANG TSAM

​​PEMA GE SAR DONG PO LA

​​YAM TSEN CHOG GI NGÖ DRUP NYEY

​​PEMA JUNG NEY ZHEY SU DRAK

​​KHOR DU KHAN DRO MANG PÖ KOR

​​KYED KYI JE SU DAK DRUP KYI

​​JIN GYI LAP CHIR SHEK SU SÖL

GURU PEMA SIDDHI HUNG

 

Recitando um mala do Mantra do Guru, imagine que a luz é emanada do seu coração na medida em que a recebe de todas as direções, de todos os budas, de Padmasambhava à sua frente, Padmasambhava e Yeshe Tsogyal (da mesma natureza de Mandarava). A luz flui para dentro e para fora. E conforme você recita o Mantra do Guru Vajra, desperte a Bodicita da Aspiração, o desejo sincero e profundo de atingir a iluminação perfeita para benefício de todos os seres.

 

OM AH HUNG VAJRA GURU PADMA SIDDHI HUNG

 

Continue visualizando-se em sua forma ordinária e recite mais um mala do Mantra de Padma Tötrengtsal, o Vajra Nascido do Lago. Novamente imaginando que a luz flui para dentro de você e para fora, em direção a todos os seres, desperte a Bodicita do Engajamento, a Bodicita que nos coloca em movimento e nos faz avançar no caminho. Peça bênçãos, para que cada um dos estágios desse caminho – as Preliminares, Shamatha, Vipashyana, Trekcho, Tödgal – que todos esses possam ser realizados, o mais rapidamente possível, culminando na perfeita iluminação de um buda.

 

OṂ ĀḤ HŪṂ VAJRA GURU PADMA TÖTRENG TSÄL
VAJRA SAMAYAJAḤ SIDDHI PHALA HŪṂ ĀḤ.

 

Sustentando a visualização de Padmasambhava e Yeshe Tsogyal no espaço à sua frente, receba as Quatro Iniciações.

 

Raios de luz branca, vermelha e azul escuro emergem

das três sílabas raiz nos três pontos do Lama.

Dissolvendo-se nos meus três pontos,

elas purificam os obscurecimentos do meu corpo, fala e mente; e transformam-me no corpo, fala e mente vajra.

Por fim, o Lama e a Assembléia dissolvem-se em luz.

Sob a forma de um bindu vermelho e branco marcado com um HUNG,

eles se dissolvem em meu coração,

e a mente do Lama e a minha mente se tornam indivisíveis como o inato dharmakaya.

AH AH

 

Com essas palavras, veja sua própria face com sendo o grandioso e original dharmakaya, a natureza última da sua própria mente, que transcende primordialmente modificações, rejeição e aceitação.

Novamente, veja as aparências semelhantes ao sonho como tendo a mesma natureza do Lama, e dedicando e pronunciando palavras auspiciosas aplique-as à felicidade e à bondade.

 

Dedicamos os méritos:

Por esta virtude,
possa eu rapidamente realizar o Lama de Oddiyana,
e possa eu conduzir todos os seres, sem exceção,
a esse estado de realização.

 

SARVA MANGALAM!

 

Prática conduzida pelo Lama Alan Wallace durante retiro na Toscana, no dia 7 de maio de 2017, e traduzida livremente por Jeanne Pilli (#58)